Perdi-te do lado errado do coração...
Perdi-te do lado errado do coração...
(...)
Amei-te do lado errado do coração...
Amei-te do lado errado do coração...
Mas és tu o meu chão.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Eu Esperei
Eu esperei
Mas o dia não se fez melhor
Mas o sujo não se quis limpar
Inventou mais flores em meu redor
Como se eu não fosse olhar
Enfeitou as ruas para cobrir
Terra seca de não semear
Deram-me água turva de beber
Dizem cura e força e solução
Como se eu não fosse olhar
Eu esperei
Mas o fumo não saiu da estrada
Arde o sonho em troca de nada
Dizem festa mas é solidão
Como se eu não fosse olhar
A mentira não se fez verdade
A justiça não se fez mulher
A revolta não se faz vontade
Braços novos sem educação
Sangue velho chora de saudade
Eu esperei
Dizem luta mas não há destino
Dão-me luzes mas não é caminho
Dizem corre mas não é batalha
Como quem não quer mudar
Esta corda não nos sai das mãos
Esta lama não nos sai do chão
Esta venda não deixa alcançar.
Cantam "armas" mas não é amor
Mão no peito mas não é amar
Fato justo mas sem lealdade
Cavaleiro mas já sem moral
Braços sujos que se vão esconder
Braços fracos não são de lutar
Braços baixos não se querem ver
Como se eu não fosse olhar
Eu esperei
Pelo tempo transparente em nós
Pelo fruto puro de colher
Pela força feita de alegria
Mas o povo dorme de ilusão
E a tristeza é forma de sinal
Liberdade pode ser prisão
Meu Deus livra-nos do mal
E acorda Portugal.
Mas o dia não se fez melhor
Mas o sujo não se quis limpar
Inventou mais flores em meu redor
Como se eu não fosse olhar
Enfeitou as ruas para cobrir
Terra seca de não semear
Deram-me água turva de beber
Dizem cura e força e solução
Como se eu não fosse olhar
Eu esperei
Mas o fumo não saiu da estrada
Arde o sonho em troca de nada
Dizem festa mas é solidão
Como se eu não fosse olhar
A mentira não se fez verdade
A justiça não se fez mulher
A revolta não se faz vontade
Braços novos sem educação
Sangue velho chora de saudade
Eu esperei
Dizem luta mas não há destino
Dão-me luzes mas não é caminho
Dizem corre mas não é batalha
Como quem não quer mudar
Esta corda não nos sai das mãos
Esta lama não nos sai do chão
Esta venda não deixa alcançar.
Cantam "armas" mas não é amor
Mão no peito mas não é amar
Fato justo mas sem lealdade
Cavaleiro mas já sem moral
Braços sujos que se vão esconder
Braços fracos não são de lutar
Braços baixos não se querem ver
Como se eu não fosse olhar
Eu esperei
Pelo tempo transparente em nós
Pelo fruto puro de colher
Pela força feita de alegria
Mas o povo dorme de ilusão
E a tristeza é forma de sinal
Liberdade pode ser prisão
Meu Deus livra-nos do mal
E acorda Portugal.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
"Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."
Eugénio de Andrade
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Permanecer no sofrimento, é escolha?
"Há pessoas que nos magoam, que nos entristecem, que nos fazem chorar, que nos fazem sentir o coração apertado, que nos deixam sem energia...há, houve e sempre vai haver... Não acredito que tudo aquilo que vamos sentindo dependa única e exclusivamente daquilo que permitimos que os outros nos façam sentir. Acredito que a forma como vemos os acontecimentos e como lidamos com eles, dependa do nosso espectro interior, mas como humanos que somos, às vezes, somos surpreendidos com alguém que nos faz algo que mexe com o nosso eu, com os nossos sentimentos, com as nossas emoções, com os nossos princípios, e quando assim é, não há problema algum em admitirmos que temos as nossas fragilidades e que nos sentimos tocados por algo ou alguém. E nessas alturas, acho mesmo importante deixarmos as emoções mais pesadas virem ao de cima. Devemos dar espaço às lágrimas, para a revolta se assim for, para nos sentirmos tristes e desiludidos (caso tenhamos criado expectativas). Deixar fluir as emoções será uma etapa fundamental para o nosso crescimento e para as emoções pesadas se dissolverem. Quanto mais reprimirmos e fingirmos que não as estamos a sentir, maior será a dificuldade de as perceber e dissolver. Por muito que nos magoem, é importante lembrarmo-nos que no nosso coração só permanecerá a zanga, a tristeza, a raiva, o medo e por aí fora, se assim o permitirmos. Grande parte das vezes, desdramatizar e não pessoalizar a situação, depois de vivida a emoção e de a sentir a cru, é o primeiro passo. É fundamental também, não entrar num tipo de diálogo que nos faça prolongar o mau estar e formas de ser negativas e auto-destrutivas como: “a mim, tudo me acontece”, “não sou suficiente merecedor”, “ninguém gosta de mim”, “a culpa nunca é minha”, “ninguém me respeita”, “não tenho sorte nenhuma”, “sou uma vítima”, etc.. Por muito que nos magoem, ou que tenhamos permitido que nos magoem, somos nós que gerimos o tempo que essas emoções vivem em nós. Uma hora má, não significa um dia mau, um dia mau, não significa uma vida má, e se há alguém que nos magoou há outras pessoas, que nos querem ver a sorrir. Importante é sabermos como queremos viver, o que queremos levar desta vida, e que pessoas queremos perto de nós. O resto, é observação e aprendizagem."
DGD
terça-feira, 7 de abril de 2015
"Há pessoas que nunca vamos deixar de amar, por muitos motivos que tenhamos para isso. O coração não percebe muitas vezes a voz da razão, e ainda bem que assim é, porque deixaríamos de ser emoções e seríamos máquinas pensantes apenas. Há razões que o coração nunca vai compreender, e quando assim é, só temos de aceitar que o coração não pensa, só sente. Aceitar que amamos alguém apesar de todos os motivos pensados para não amar, será o ponto de partida, sendo o marco seguinte, o de aceitar que não sabemos quanto tempo durará esse amor, com a certeza porém, que amar não significa querer, e é aqui que entra a cabeça que pensa e não o coração que sente. Se amamos alguém que permitimos que nos fizesse mal, ou que não nos ama a nós, ou com quem não nos entendemos por uma ou outra questão, só temos de perceber que por muito que haja amor, não deve haver querer. O amor é do campo do coração, o querer do campo da razão. Não precisamos de deixar de amar, só precisamos de deixar de querer e de investir, por muito que possa doer. Dói, mas não mata como diz Water Riso, e o grande remédio para esta dor será sempre o amor próprio, que fará com que a ferida desse amor sem vida, cicatrize mais depressa e que deixe de doer, porque deixa!"
DGD
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